Já tem um tempo longo, bem longo que eu não posto nada. Não vou me justificar, e sei que não preciso. Primeiro porque ninguém lê meu blog, segundo porque todo mundo já sabe das minhas desculpas.
Não anda acontecendo nada muito grandioso na minha vida. Cortei o cabelo, estou quase no fim do curso de inglês, agora tenho um pássaro de estimação, uma gata caçadora de baratas e aposentei minha mochila velha. É bobo, irrelevante? É. Mas é meu dia-a-dia. Tedioso ou não, é.
E além de tudo isso, estou gostando de alguém.
Não é a primeira vez que sinto isso. Não é a primeira pessoa da minha vida, nem vai ser a última, eu imagino. Não é ninguém perfeito, nem alguém com quem eu sonhe casar, ter trocentos filhos e dividir a escova de dentes. Pra falar a verdade, não espero mesmo muita coisa. Nem de mim, nem dele.
Mas o que é que torna isso tão marcante assim?
Eu aceito o que estou sentindo.
Se fosse um ou dois anos atrás, eu faria questão de não contar pra ninguém, nem escrever em lugar algum. Teria vergonha, ciúmes e medo, muito medo. De dar errado, de perder tudo e , principalmente, de sentir. Eu iria negar, disfarçar até o fim, até a muralha rachar e eu cair por terra, derrotada… Por mim mesma.
Mas muito tempo já foi desde que essa época acabou.
Quando penso nisso, eu suspiro , olho para qualquer lugar vazio e exclamo: como eu mudei.
Falar de assuntos do coração (ou do sistema límbico, se você for menos metafórico), para minha jovem consciência, não é tão difícil assim. Eu tenho opinião e atitude um tanto incomum quanto a essas coisas, e talvez um dia resolva colocar algo aqui a respeito disso. Mas não, não é exatamente o tema que eu quero abordar.
De uns tempos pra cá, eu tenho prestado certa atenção no que os outros dizem e escrevem. É quase impossível pra uma menina de dezesseis anos com internet em casa resistir ao apelo de redes sociais e coisa parecida. É divertido, algumas vezes útil e, pelo menos pra mim, coloca pra pensar um pouco sobre algo além de si mesmo.
E tem uma coisa que eu reparei, no meio disso tudo.
As pessoas que eu conheço estão sentindo pelo computador.
Isso é esquisito. Muito esquisito. Até eu tive um pouco de dificuldade pra dar nome a isso que notei. E nunca vi ninguém falando sobre o assunto tentando ver a coisa de fora.
Aliás, você já percebeu como a tristeza está na moda?
Frases de poetas e romancistas sobre angústia e frustração piscando em perfis do Facebook. Twitters inteiros dedicados a ciúmes doentes e namoros instáveis. Músicas empurrando para o ouvinte um ideal esquisito de amor, fazendo uma multidão cantar a paixão como se a vivesse o tempo todo, e, às vezes, sem fazer idéia do que significa aquilo. Casais que moram na mesma cidade, mas só conseguem ter diálogo por MSN e mensagens de celular. Dizem ‘eu te amo’ pelo teclado, brigam com histórico gravado no computador pessoal e ficam possessos de raiva por ícones em uma tela de LCD, indicando que uma ou outra garota está online. O Tumblr, que tem um propósito bem interessante, está infestado de fotos depressivas, citações de dor e comentários de gente que se identifica com tudo aquilo.
E não se enganem achando que é pouco.
Eu vejo tudo isso, e acho tão estranho. Um pessoal com todas as chances de se divertir, de dar um sorriso, de conhecer lugares, outras pessoas, de viver milhões de coisas está reclamando da vida, virando noites em prantos, surtando de fúria, tudo na internet. Esperam a aula terminar para conversar com o colega ao lado virtualmente, não têm coragem de olhar aquele que amam nos olhos, procuram de modo incansável por uma indireta digital, mesmo que nem proposital, de um amor que quase não vivem cara a cara.
E, bem lá no fundo, o que move isso tudo é o medo. Medo de ouvir uma voz, medo do toque das mãos, medo do rosto que muda de expressão a cada frase que sai. Através da tela, é tudo muito mais fácil. Informação desinfetada, esterilizada do calor e do sentimento humano. Não há o que temer, sendo que nada vai te machucar.
Por algum motivo, eu não me sinto tão ‘dentro’ desse movimento todo. E eu não faço a mínima idéia do porquê. Tudo isso passa por mim e eu apenas olhando, tentando inutilmente puxar aqueles que amo para fora desse furacão.
Não quero fazer uma cruzada anti-tecnologia. Nem vá pensando que eu vou colocar fogo no meu PC e organizar passeatas com hippies extremistas, pronta pra fundar uma sociedade alternativa. Não é bem isso. Se eu fosse mesmo tão conservadora assim, eu não teria nem mesmo este blog, e escreveria essas coisas todas em um pedaço de papel, ou numa pedra qualquer. O progresso não é ruim, o avanço não é um problema. É um remédio para muitos males, mas todo remédio tem efeitos colaterais. E nem todos acontecem por causa da dose.
Enquanto isso, eu vou ficando aqui, no meu humilde lugar, sendo antiquada e preferindo viver um pouquinho mais. maapha@gmail.com